EXISTE A MELHOR HORA PARA INVESTIR ?

08/04/2020

Pedro Sampaio Amorim

O QUE A QUEDA RECENTE DA BOLSA DE VALORES E OS EVENTOS DE CAUDA PODEM NOS ENSINAR?

Nos momentos de incerteza e de alta volatilidade a primeira pergunta que surge na cabeça do investidor é se essa é a melhor hora para assumir riscos. Em alguns casos esses eventos de cauda geram o desejo de acertar o melhor momento para entrar ou sair do mercado de ações.

O que são os eventos de cauda?

Os eventos de cauda possuem este nome por se localizarem na extrema direita (altíssimo impacto) e extremo inferior (baixíssima probabilidade de ocorrência) da distribuição teórica de eventos da vida cotidiana (conforme ilustração abaixo, na “cauda” da distribuição). 

Distribuição teórica de eventos da vida cotidiana

Tão raros são estes eventos que qualquer conjectura acerca de melhora repentina ou de piora absoluta, por exemplo, está fadada a erro.

Momentos turbulentos de eventos desta natureza mexem profundamente conosco: sentimos ansiedade, angústia, descrença, raiva, dentre outros, até a aceitação.

Independente da duração de cada sentimento durante o processo, é nítido e certo que não controlamos a situação, e consequentemente, nos resta encará-la de modo passivo, ou seja, esperar.

E esperar, embora pareça simples, significa lidar com o tempo sem sofrimento e isso passa por, dentre outras coisas, compreender que podemos parar com calma, enxergar o todo e buscar racionalmente oportunidades.

Uma maneira inteligente de lidar com o tempo é observar que períodos de turbulência passam.

O momento de turbulência atual passará. E o que virá pela frente?

Como não sabemos a resposta para essa pergunta, nos resta observar exemplos passados.

O que a história nos mostra?

Como exemplo de outros eventos de cauda, observemos, isoladamente, outros períodos críticos tais como o ano de 2008 – marcado pelo início da crise do subprime – bem como o período compreendido entre 2010 e 2015 – marcado por fortes quedas do Ibovespa proveniente, dentre outras coisas, pelo período da Dilma na presidência:

Considerando-se estes períodos isolados, o investidor teria observado uma perda de capital de -62,85%.

Agora vamos esticar a análise no tempo.

Se passarmos a observar o exercício de um investidor que tivesse se mantido investido desde 2006, em 2019 ele teria observado ganho de capital de 216,58%.

A ideia de se permanecer investido no IBOVESPA então parece razoável com esta análise de uma janela maior de tempo, não?

Se, mais do que isso, considerarmos três cenários diferentes:

  • No Cenário 1 o investidor permaneceu investido e não saiu do investimento após os sustos das crises.
  • No Cenário 2 o investidor saiu do investimento em 2009, logo após o susto da crise de 2008 e resolveu voltar em 2010 depois que observou o bom resultado de 2009.
  • No Cenário 3 ele resolveu sair do investimento em 2016, logo após o susto do efeito na bolsa relacionado ao período Dilma e, em 2017, voltou a investir.

Conclusão 1: concluímos que o investidor que permaneceu investido foi aquele que obteve o maior ganho de capital.

Agora, consideremos outros três cenários diferentes:

  • No Cenário 1 o investidor permaneceu investido e não saiu do investimento após os sustos das crises.
  • No Cenário 2 o investidor encarou a crise de 2008 como oportunidade e, logo após ela, resolveu aumentar seu investimento, aplicando o mesmo montante inicial.
  • No Cenário 3 o investidor encarou, também, a crise relacionada ao período de 2010 a 2015 como outra oportunidade e, logo após ela, resolveu aumentar seu investimento novamente, aplicando o mesmo montante inicial.

Conclusão 2: concluímos que o investidor que observou as crises como novas oportunidades de investimento foi aquele que obteve ainda maiores ganhos de capital.

O que a história pode nos ensinar?

O investidor de longo prazo, que permanece investido, absorve de maneira saudável os anos de crise (marcados por eventos de cauda), observando maior ganho de capital ao longo do processo.

A ideia de se permanecer investido é justamente o que pressupõe a estratégia de investimento em fatores.

Nesse sentido, observamos o desempenho teórico da estratégia que deu origem ao fundo Batalha Multi-Fator (lançado em Agosto de 2019) – estratégia automática de seleção de portfólio de ações baseada em três fatores: Qualidade, Valor e Momentum.

Repetindo os exercícios demonstrados anteriormente e considerando – dessa vez – a estratégia em fatores Batalha Multi-Fator (por meio de backtest), temos os seguintes cenários:

Conclusões finais

Permanecer investido no longo prazo trata-se de uma estratégia de investimento consciente e racional, que historicamente gerou performance muito superior a seus adeptos em comparação a investidores “aflitos” ou reativos.

No entanto, é fundamental, principalmente durante períodos de turbulência, estar exposto a  ativos saudáveis, de qualidade. Serão esses que enfrentarão as crises de maneira mais segura e que voltarão aos seus “preços justos” de maneira mais rápida.

O objetivo do Batalha Multi Fator é ampliar os ganhos e proteger a preservação de capital do investidor no longo prazo.

Em tempos turbulentos, dois fatores são cruciais para a estratégia:

  • Fator “Qualidade”: captura oportunidades extremamente robustas e com alto retorno intrínseco sobre o capital;
  • Fator “Valor”: captura as “barganhas” durantes períodos de crise. Momentos de mercado como o atual criam oportunidades únicas de investimento a preços muito abaixo do que consideramos adequado.